Carl Gustav Jung nasceu no dia 26 de julho de 1875 no lago de Constança, em Kesswil, Suíça. Jung tinha uma irmã e era o filho mais velho. Filho de Johann Paul Achilles Jung e Emilie Preiswerk . Seu pai, Paul Achilles Jung, era um homem trabalhador e dedicado à família e também pastor luterano da Igreja Suíça Reformada. Sua mãe, Emilie Preiswerk, sofria de distúrbios emocionais e tinha humor bastante instável sendo, inclusive, internada no Hospital de Friedmatt, para doentes mentais, na Basiléia em 1878, mesmo ano em que os pais de Jung tiveram uma separação temporária.
Entre 3 e 4 anos, sonhou com uma imagem fálica aterrorizante, em cima de um trono, num quarto subterrâneo. O sonho assediou Jung durante anos. Só muito tempo mais tarde ele descobriu que a imagem era um falso ritual; representava um ‘’Deus subterrâneo’’, mais amedrontador, porém mais real poderoso para Jung que Jesus e a igreja.
Ah segunda experiência ocorreu quando Jung tinha 12 anos. Ele saiu da escola, ao meio-dia, e viu o sol cintilando no telhado da catedral. Refletiu sobre a beleza do mundo, o esplendor da igreja e a majestade de Deus sentado, no alto do firmamento, num trono de ouro. Jung ficou então, de súbito aterrorizado com a direção de seus pensamentos e recusou-se a continuar a pensar nesta linha, que ele sentia como altamente sacrílega. Tentou, por vários dias, suprimir o pensamento proibido. Afinal Jung permitiu a si mesmo completa-lo: ele viu a bonita catedral e Deus sentado em seu trono, lá no alto, sobre o mundo, e por baixo do trono saiu um enorme excremento que caiu sobre o teto da catedral, despedaçou-a e quebrou suas paredes.
De alguma forma pode ser difícil para nós, hoje, imaginar o aterrorizante poder da visão de Jung. Dados o convencional pietismo e a falta de sofisticação psicológica em 1887, tais pensamentos eram somente inconfessáveis, como também impensáveis. Entretanto, seguindo sua visão, Jung sentiu, ao invés da danação esperada, um enorme alívio e um estado de graça. Interpretou sua experiência como uma prova enviada por Deus para mostra-lhe que cumpriu seu desejo pode fazer com que a pessoa vá a igreja e contra as mais sagradas tradições. Daí em diante, Jung sentiu-se distanciar da devoção convencional de seu pai e de seus parentes religiosos. Ele viu como a maioria das pessoas se afasta de uma experiência religiosa direta, permanecendo limitada pela letra de convenção da Igreja ao invés de considerar seriamente o espírito de Deus como uma realidade viva.
Em parte como resultado de suas experiências interiores, Jung sentiu-se isolado das pessoas. Ás vezes, ele se sentia intoleravelmente sozinho. A escola o aborrecia; entretanto, ele desenvolveu uma paixão pela leitura, ‘’uma ânsia absoluta de ler qualquer recorte de material impresso que caísse em minhas mãos’’(Jung, 1961). Na época de entrar na universidade, Jung resolveu estudar medicina mantendo um compromisso entre seus interesses por ciências naturais e humanas. Foi atraído pela psiquiatria como o estudo dos ‘’distúrbios da personalidade’’ (embora naquele tempo a psiquiatria fosse relativamente pouco desenvolvida e indiferenciada); percebeu que a psiquiatria envolvia ambas as perspectivas científica e humana. Jung também desenvolveu um interesse pelos fenômenos psíquicos e investigaram as mensagens percebidas por um médium local, para sua tese sobre ‘’Psicologia e Patologia dos Assim Chamados Fenômenos Ocultos’’.
